sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Os Pássaros Fugitivos (Márcia Duarte)

 E tudo volta ao nada
 Quando suas asas se batem
 E longe se omitem.

 Há tempos acalentada
 Pela canção do silêncio
 E da angústia do tempo
 Passava momentos,
 Instantes ou minutos
 Que na ânsia do presente
 Foram horas, dias ou séculos.

 Longo tempo de ilusão...

 Logo vejo meu fim
 Fazer do caminho um rio
 Águas limpas que torturam
 A serenidade de seus vôos.

 E o que mais me acaba
 É saber que lês isto
 E nada compreendes.

 Tu és insensato
 Mas mesmo assim, leitor
 Tu me fazes sorrir.

 Talvez eu chore,
 Talvez eu emudeça
 Talvez, quem sabe, eu morra
 Cansada e presa nessas linhas
 Sem ter com quem encontrar.

                                              Márcia Duarte.

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